quarta-feira, 29 de abril de 2015

Centro das Taipas cria projeto para responder a alcoolismo infantil

 
"Na corda bamba" é um projeto que procura responder às preocupações provocadas pelo consumo entre os jovens de álcool e de substâncias psicoativas. Para nos dar a conhecer o projeto.
A crise está a aumentar o número de casos de alcoolismo e a tornar os consumos mais perigosos, sobretudo nas bebidas destiladas e cerveja, alerta o presidente da Sociedade Portuguesa de Alcoologia.
 

"Aquilo que verificámos em estudos e padrões de consumo é que tem havido um aumento progressivo do consumo de bebidas destiladas. Mesmo no caso dos jovens, são as bebidas mais consumidas", explica o médico Augusto Pinto, em declarações à Lusa, na véspera do Dia Nacional dos Alcoólicos Anónimos.

De acordo com o presidente da Sociedade, a crise que se vive atualmente no país "pode efetivamente agravar os consumos" e ao mesmo tempo levar "a consumos mais perigosos", acrescentando que a capacidade de desenvolver doenças "é mais grave nas bebidas destiladas", comparando com a ingestão de vinho.

"Sendo ambas portadoras de álcool, a quantidade é maior nas destiladas, o que faz prever uma redução do tempo necessário para chegar à doença", alerta Augusto Pinto, avançando que são necessários dez anos de consumo "elevado, habitual, regular e excessivo" para chegar à dependência, mas, caso as bebidas destiladas sejam consumidas regularmente, a dependência surge mais cedo.

"Eu diria que a crise pode efetivamente agravar os consumos e pode levar a consumos mais perigosos. As consequências orgânicas e a capacidade de desenvolver doenças é mais grave nas bebidas destiladas do que em alguém que consume vinho ou aguardente. Sendo ambas portadoras de álcool a quantidade é maior nas destiladas", frisa o especialista.

Para o médico, a pessoa, normalmente, não se reconhece como doente pelo facto de "beber algumas vezes de forma excessiva e ficar embriagado", situação que "entra dentro de uma normalidade aceite na sociedade", explica.

De acordo com Augusto Pinto, o facto de alguém beber com regularidade cria uma situação designada no meio médico como tolerância, ou seja, a pessoa vai aguentando-se cada vez mais tempo sem ficar embriagada.

"Fica com a ideia de que aguenta cada vez mais a bebida e que isso é um aspeto positivo e não negativo. Ora quanto maior capacidade de consumo a pessoa tem (...) mais perto está de ser meu cliente, doente", explicou.

 Augusto Pinto desmistifica ainda o mito de que os doentes alcoólicos andam sempre embriagados, alertando que é precisamente o contrário, graças à tolerância que ganham através do tempo.

"Quando começam a reduzir essa capacidade (de enorme tolerância) é sempre um mau prognóstico. Significa que em termos cerebrais e hepáticos as coisas estão piores ou agravadas", revela.

De acordo com o especialista, há muito a fazer na área da prevenção e intervenção precoce, embora reconhecendo que a existência de um dia nacional possa chamar a atenção do problema, revela que não tem o mesmo impacto ao nível de doentes com outro tipo de patologias, porque se tratam de doentes com dificuldade em aparecer, na sua maioria anónimos.

"Sempre defendemos a existência, para além dos grupos de alcoólicos anónimos, de grupos de alcoólicos tratados, já que todos são importantes porque são ambos de autoajuda. Em algumas pessoas é importante a relação de anonimato, mas outros encaram a doença como outra qualquer e havia a necessidade de que estes estigmas fossem esbatidos na sociedade e que se respeitasse ainda mais os doentes não tratados", salientou.

Augusto Pinto lembra ainda a acessibilidade ao álcool existente no nosso país, com uma "cultura muito enraizada em relação à substância" o que dificulta o trabalho de prevenção. 
"Toda a população considera normal o consumo de bebidas alcoólicas, não perspetivamos nenhuma atividade festiva sem álcool. Em todas as festas há álcool na mesa", lembra. 
Para Augusto Pinto, parte da solução do problema passa pela "mudança de consciência" e aceitação do doente tratado na sociedade e o aumento das respostas, nomeadamente na capacidade de intervenção de técnicos e médicos especializados no problema.
 
Para ver a reportagem da SIC basta clicar na imagem.
 
http://sicnoticias.sapo.pt/programas/edicaodamanha/2013-06-24-centro-das-taipas-cria-projeto-para-responder-a-alcoolismo-infantil
Fonte: Sic e Lusa
Post publicado por João Monte
 

A Fome no Mundo e o Desperdício de Alimentos

Este vídeo aborda a questão da fome e do desperdício de alimentos no Brasil. No entanto, infelizmente, esta realidade acontece em todos os países do mundo.

 
Post publicado por Inês Fernandes

Há pelo menos 300 mil pessoas a passar fome em Portugal

Esta era a realidade no ano de 2010 em Portugal, como será agora passados 5 anos?
 
Muitas famílias não conseguem garantir uma alimentação adequada, embora não seja fácil chegar a números. Até porque a "cara da pobreza está a mudar", dizem as instituições.
Trezentos mil. Ou melhor, pelo menos 300 mil. É este o número de portugueses que ainda passam fome. O número que "nos envergonha a todos", segundo o Presidente da República. Cavaco Silva lançou o alerta a propósito da iniciativa "Direito à Alimentação", que quer distribuir as sobras dos restaurantes por 4500 instituições de solidariedade e assim matar a fome às famílias carenciadas.

"Relativamente à fome faltam dados e temos de nos limitar ao que dizem as instituições que apoiam as famílias carenciadas, nomeadamente o Banco Alimentar, que apontava para 280 mil pessoas há uns meses, antes da crise", explica o investigador Alfredo Bruto da Costa. Um número que entretanto chegou aos 300 mil ao longo deste ano.

"Pelo que temos ouvido, pelos apelos de instituições de apoio social, é possível que este número esteja a crescer", acrescenta o especialista que tem estudado a pobreza em Portugal desde os anos 80. E mesmo assim é difícil incluir neste número a "pobreza envergonhada" que não procura ajuda. A crise pode mesmo inverter a tendência de diminuição da pobreza que Portugal registou nas últimas décadas, alerta Alfredo Bruto da Costa. "Em 2008, antes de sermos atingidos pela crise, tínhamos 18% de pobres. Depois disso não sabemos o que aconteceu", conclui.

Três instituições que da rua tiram a ideia de que a vida está mais complicada são a Legião da Boa Vontade, a Comunidade Vida e Paz (CVP) e a AMI. "Já não são só os sem-abrigo a procurar carrinhas de distribuição de comida", diz Heloísa Teixeira, da Legião. "A cara da pobreza mudou", reforça Elisabete Cardoso, da CVP. Já a AMI, nos primeiros seis meses deste ano ajudou tantas pessoas como em 2005. "Recebemos pedidos de ajuda de pessoas sem dinheiro para comer, para medicamentos, renda, água ou uma botija de gás para cozinhar", diz Ana Martins.
Foi por chegarem cada vez mais pessoas a pedir comida aos restaurantes que a Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP) avançou para a iniciativa "Direito à Alimentação", diz o secretário-geral José Manuel Esteves. "Eram nossos clientes na semana passada e esta semana entram de mão estendida", explica. A AHRESP espera que a rede que está a montar para recolher donativos dos cerca de 25 mil associados e entregá-los às pessoas com fome possa entrar em funcionamento já em Janeiro - abrangendo 4500 instituições de solidariedade espalhadas pelo País. E foi no lançamento desta rede que o Presidente da República disse que nos "envergonha a todos saber que há portugueses com fome". Uma frase que já lhe valeu críticas da esquerda.

Fonte: Diário de Notícias, por Patrícia Jesus, 12 de Dezembro de 2010.

Post publicado por Inês Fernandes


 

PERIGOS DA INTERNET - VIDEO COMPLETO.wmv

Observa atentamente o vídeo e segue os conselhos. Utiliza a internet com segurança!




 
Post publicado por Rafael Banza

terça-feira, 28 de abril de 2015

Organização Mundial de Saúde quer ação global para acabar com indústria tabaqueira

Falando na Conferência Mundial do Tabaco, que decorre na capital dos Emirados Árabes Unidos, Abu Dhabi, Margaret Chan felicitou os vários países, como a Austrália, que introduziram embalagem simples nos pacotes de cigarros, exortando outros Estados a adotarem a mesma decisão.

A responsável da agência da ONU assinalou que as empresas de tabaco "usam todo tipo de táticas, incluindo o financiamento de partidos políticos e de políticos individualmente para trabalhar para elas" e que "não há nada que não explorem para prejudicar os governos na sua determinação de proteger o próprio povo".

"Vai ser uma luta dura" mas "não devemos desistir até termos a certeza de que a indústria tabaqueira acabou", assegurou Margaret Chan.

Em 2014, a OMS lançou novas orientações, no âmbito da Convenção Quadro de Controle do Tabaco, a exortar os Estados membros da ONU a aumentarem os impostos que incidem sobre produtos derivados do tabaco, produto que anualmente mata cerca de seis milhões de pessoas em todo o mundo, segundo a agência.

"O tabagismo caiu em vários países maioritariamente graças às medidas legislativas", afirmou Margaret Chan, apontando o mais recente relatório da OMS, em que se demonstra que a proporção de homens que fumam registou uma queda em 125 países.

Para a diretora geral da OMS, ser não fumador "está a tornar-se uma norma".

"Estamos felizes por ver esse progresso em tantos países", disse à AFP à margem da conferência, onde instou as nações que produzem folhas de tabaco para "se moverem mais rápido" no combate ao tabagismo, estabelecendo parcerias com a Organização da ONU para a Alimentação e Agricultura (FAO) e a OMS.

Na véspera da preparação da Conferência das Partes da Convenção Quadro para o Controle do Tabaco da OMS (COP6), que decorreu em outubro último na Rússia, diversos produtores africanos de tabaco mostraram-se alarmados com a suposta exclusão dos governos de África nos debates sobre políticas ligadas à indústria tabaqueira.

"As pessoas que definem estas políticas estão completamente alheadas da realidade e não conseguem reconhecer o contributo económico positivo da produção de tabaco em África", disse na altura o presidente da Associação Internacional de Produtores de Tabaco (ITGA, sigla em inglês), François van der Merwe.

Aquele responsável afirmou que os produtores do Zimbabué, do Maláui, da Zâmbia, do Quénia e da África do Sul consideravam o tabaco "uma cultura de elevado valor comercial e bastante adequada à agricultura de pequena escala, tendo mudado para melhor a vida de muitos agricultores africanos", pelo que os produtores exigiam a sua inclusão nos debates da OMS sobre as políticas do setor. 

Até 2025, a OMS pretende reduzir para 30 por cento o consumo de tabaco, pelo que Margaret Chan afirmou que, apesar de uma queda no número de fumadores em muitos países é necessário fazer muito mais para conter a prática do uso de tabaco.

Fonte: SicNoticias

Post publicado por Leandro Matos

«Somos o que Comemos»

Os erros alimentares são a principal causa de anos de vida saudável perdidos em Portugal. Mais do que o tabaco, o álcool e o consumo de drogas.

As doenças que mais matam em Portugal estão associadas, cada vez mais, a uma alimentação desequilibrada.
Grande Reportagem SIC

Na receita da má alimentação, o açúcar é um ingrediente que ganhou peso. Usado pela indústria alimentar para intensificar sabores e prolongar prazos de validade, muito desse açúcar é invisível para os consumidores.

Crianças e adolescentes estão particularmente expostos: a maioria dos pais desconhece a quantidade de açúcar e de sal que põe, diariamente, nos pratos dos filhos.

Os reflexos na saúde são alarmantes: doenças como diabetes, hipertensão, colesterol elevado e obesidade — antes associadas a adultos e idosos — são cada vez mais frequentes nas consultas de pediatria.

Em Portugal há 160 novos casos de diabetes por dia. A incidência de diabetes tipo II aumentou 80 % na última década.

Quase metade dos portugueses sofre de hipertensão. Morrem 33 pessoas por dia vítimas de AVC em Portugal.

60% da população tem peso a mais: 2 milhões de portugueses sofrem de obesidade. Mais de 4 milhões são pré-obesos.

Os custos destas doenças quase sempre preveníveis estão a asfixiar o Serviço Nacional de Saúde. Mas o investimento em prevenção é residual.

Médicos, nutricionistas, investigadores, professores, pais e filhos mostram-lhe também como está nas mãos de cada cidadão evitar a doença e melhorar a sua própria saúde.

Somos o que Comemos é um trabalho de Miriam Alves, Filipe Ferreira, Marco Carrasqueira e Diana Matias, com grafismo de Alexandre Ferrada.

Esta Grande Reportagem da SIC passou quinta-feira, dia 2 de abril, no Jornal da Noite.

Post publicado por Gonçalo Seixas



terça-feira, 21 de abril de 2015

Uma em cada nove pessoas no Mundo passa Fome

Pelo menos 805 milhões de pessoas no mundo, ou seja, uma em cada nove, passam fome. Segundo o relatório da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), relativo ao período de 2012 e 2014, apesar de se ter registado uma tendência positiva na última década, com 100 milhões de pessoas a saírem do estado de desnutrição crónica, a FAO considera que os números continuam a ser “inaceitavelmente elevados”, principalmente nas regiões da África subsariana e da Ásia.

As estatísticas agora avançadas são comparadas pela FAO com as recolhidas entre 1990 e 1992. Segundo a organização, mesmo havendo ainda 805 milhões de pessoas com fome atualmente, houve um decréscimo de 209 milhões desde 1992. Desde esse período, 63 países atingiram a meta estabelecida pelos Objetivos de Desenvolvimento do Milénio e seis outros estão a caminho de o fazer até ao próximo ano. Os MDG pretendem que até 2015 se reduza para metade a percentagem de pessoas cujo rendimento é inferior a 1 dólar (77 cêntimos) por dia e a percentagem da população que sofre de fome.

O relatório Estado da Segurança Alimentar no Mundo 2014 concluiu que a tendência de decréscimo das pessoas subnutridas nos países em desenvolvimento “significa que os Objetivos de Desenvolvimento do Milénio de reduzir para metade a proporção de pessoas subnutridas até 2015 são alcançáveis, se esforços adequados e imediatos forem intensificados”.

Sobre este ponto o diretor-geral da FAO José Graziano da Silva, defende: "O trabalho que está a ser desenvolvido pelas nações em desenvolvimento é a prova de que podemos vencer a guerra contra a fome e isso deve inspirar os países a avançar, com o apoio da comunidade internacional, se necessário". Para Silva, a “redução da fome substancial e sustentável é possível”, bastando para isso um “compromisso político” para erradicar a fome até 2025.


Apesar de um balanço com alguns pontos positivos na erradicação da fome, os números de várias regiões e sub-regiões do planeta continuam a ser preocupantes. É o caso da África subsariana, fortemente afetada por conflitos e desastres naturais, onde uma em quatro pessoas permanece subnutrida, num total aproximado de 214 milhões. A Ásia é a região com mais população do mundo e onde está concentrada a maior percentagem de pessoas com fome. A FAO indica que, apesar de ter havido uma diminuição em países como a China, Índia e Vietname, a região reúne dois terços das pessoas subnutridas do mundo, perto de 526 milhões.

A região da América Latina e Caraíbas foi, por outro lado, uma das mais bem-sucedidas no combate à fome nos últimos anos, passando de 69 milhões de pessoas em 1992 para 37 milhões este ano. A Oceânia continua a ser a região onde os números de subnutrição são menores. Em mais de uma década, a população com fome é de cerca de um milhão de pessoas.

Nas regiões dos países desenvolvidos, que inclui a Europa e, por sua vez, Portugal, esta realidade afeta 15 milhões de pessoas, de acordo com a FAO. A organização não apresenta números específicos para os países desenvolvidos.

Fonte: Jornal Público, 16/09/14, por Cláudia Bancaleiro

Post publicado por Inês Fernandes

Número de pessoas com fome no mundo recuou mas ONU alerta que são necessários mais esforços

O número de pessoas que passa fome em todo o mundo desceu, mas ainda assim há 842 milhões de pessoas com carências alimentares. Os dados constam do relatório da Organização da ONU para a Agricultura e a Alimentação e mostram que continua a haver grandes diferenças de região para região.

Fonte: Sic Notícias

Post publicado por Inês Fernandes

Cáritas lançou uma campanha para erradicar a fome no Mundo

A Cáritas lançou uma campanha para erradicar a fome no Mundo. Em cada oito pessoas, duas não têm a alimentação necessária...A Cáritas faz o apelo à erradicação da fome, no dia em que se celebram os direitos humanos.

Fonte: Sic Notícias

Post publicado por Inês Fernandes

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Crianças: Portugal é um dos países da OCDE com mais obesidade entre raparigas adolescentes - UNICEF

Obesidade infantil é "preocupante" e poderá levar o excesso de peso a tornar-se a "norma" na Europa, segundo relatório da OMS. Portugal está entre os países com taxa elevada de excesso de peso infantil e também nos adultos.

O alerta é feito esta terça-feira pela Organização Mundial de Saúde (OMS): o excesso de peso “é tão comum que arrisca tornar-se a nova norma na região europeia”. Para fundamentar esta conclusão a OMS apresenta médias que considera “alarmantes” entre adolescentes e adultos mas principalmente entre crianças. Na Europa, mais de 27% das crianças com 13 anos e 33% com 11 têm excesso de peso. Portugal está entre os países com piores indicadores: aos 11 anos, 32% das crianças têm peso a mais.

A OMS revela “níveis preocupantes” de excesso de peso resultantes de uma má alimentação e inactividade física.
De acordo com dados recolhidos entre 2009 e 2010, a Grécia lidera, por exemplo, na percentagem de crianças de 11 anos com excesso de peso (33%), seguida de Portugal (32%) e da Irlanda e Espanha (ambas com 30%). No fim da lista encontram-se a Holanda e a Suíça, com 13% e 11%, respectivamente. Entre as crianças portuguesas, a OMS apresenta ainda valores para os meninos e as meninas com sete anos. O excesso de peso está presente em 40,5% dos rapazes e em 35,5% das raparigas. A obesidade, na mesma faixa etária, é menor, 16,7% e 12,6%, respectivamente.

No caso de adolescentes de 13 anos, a prevalência do excesso de peso foi verificada em mais de 27% destes jovens nos 36 países da Europa com dados disponíveis. Quando analisados os adolescentes com ou mais de 15 anos, essa percentagem atinge o seu valor mais alto na Grécia (23%) e mais baixo na Arménia, Lituânia e Rússia (10%).
Em Portugal, 31% dos rapazes e 18% das raparigas têm excesso de peso. Aos 15 anos a obesidade atinge os 24% e os 17%, para cada sexo.

Davide Carvalho, endocrinologista e presidente da Sociedade Portuguesa para o Estudo da Obesidade (SPEO), diz que a situação de obesidade infantil em Portugal é “muito preocupante” e é “previsível que se venha a agravar”.

O médico indica que a médio prazo é expectável que 30% a 50% das crianças se tornem obesas na idade adulta, uma realidade possível que se deve à redução do número de horas de actividade física nas escolas do ensino básico, às crianças passarem cada vez mais tempo em frente ao televisão ou ao computador e à
crise económica que afectou a alimentação. “É necessário aumentar a actividade física das crianças e que os pais reduzam o tempo que as crianças estão frente ao ecrã para as duas horas diárias recomendadas. Uma criança activa é um adulto activo”, acrescenta o presidente da SPEO.

24% da população adulta portuguesa é obesa


Dados de 2008 relativos a 46 países europeus com dados disponíveis indicam que mais de 50% da população adulta, com 20 ou mais anos, tinha excesso de peso, valor que diminui em termos de obesidade (mais de 20%) quando estudados 40 países. Entre os 46 Estados, a média mais baixa e mais alta de homens com excesso de peso varia entre 31%, no Tadjiquistão, e 72%, na República Checa. A maior percentagem de mulheres com peso a mais foi verificada na Turquia (64%). O Tadjiquistão voltou a apresentar o valor mais baixo, 31%.

Portugal apresenta outros valores para a população adulta: 59,1% tem excesso de peso e 24% é obesa. A prevalência de excesso de peso é maior entre os homens (61.8%) que nas mulheres (56.6%). Quando se fala em obesidade, essas percentagens descem para 21,6% e 26,3%, respetivamente. Uma alimentação pouco saudável e sedentarismo podem explicar estes valores. “Com o envelhecimento da população, a prevalência da obesidade aumenta”, diz Davide Carvalho, mas “o consumo de sal muito elevado e o limite que atingimos quanto à ingestão de gordura saturada” ajudam ao agravamento dos dados entre os portugueses. “Apenas ultrapassámos pela positiva o consumo de frutas e vegetais”, acrescenta.

“A nossa perceção do que é normal alterou-se. Ter excesso de peso é agora mais comum que inabitual”. A conclusão é da diretora regional para a Europa da OMS, Zsuzsanna Jakab, que também indica a inatividade física e uma alimentação baseada em comida de baixo preço, salgada, açucarada ou com demasiada gordura saturada, como fatores determinantes para a obesidade. Se estes fatores forem combinados, Jakab fala num resultado “mortal”.

O presidente da SPEO sublinha igualmente os “problemas graves” que resultam do excesso de peso e com valores elevados entre os portugueses como a doença coronária, com 17% da população adulta afetada, mas ainda a hipertensão ou diabetes.

A OMS estima que em 2020 a obesidade afete 21% dos portugueses e 22% das portuguesas, valores que sobem em 2030 para 27% e 26% para cada um dos sexos.



Falta de exercício como causa para a obesidade

A inatividade física é apontada pela OMS como uma das principais causas para a existência de obesidade. Dados de 2008 mostram que em 23 países com informação disponível 30% da população com 15 ou mais anos não praticava exercício suficiente para combater ou evitar o excesso de peso. Malta apresenta o valor mais elevado de homens inactivos fisicamente (de 71%), enquanto a Estónia fica colocada nos pontos mais baixos do gráfico (17%). As mulheres fazem menos desporto que os homens, segundo a percentagem mais elevada que foi registada (76% na Sérvia). Na Sérvia regista-se o valor mais baixo, 16%.

Segundo os dados mais recentes para Portugal, entre os 15 ou mais anos, 53,9% dos portugueses não fazem qualquer exercício, sendo que 50% dos homens não praticam qualquer desporto e 57,5% das mulheres também. “A inactividade física será um dos grandes problemas dos portugueses. Mas temos 20% fisicamente activos, segundo dados recentes. O problema do sedentarismo são o número de horas que passam em frente ao ecrã, a jogar no computador, sentados a trabalhar”, afirma Davide Carvalho, segundo o qual as zonas Norte, Centro, Madeira e Açores são as que têm “taxas de sedentarismo mais elevadas”.

Portugueses comem muitos vegetais mas abusam no sal

Além da actividade física, a OMS aconselha ao consumo mínimo de alimentos ricos em gordura saturada, a uma maior aposta nas frutas e vegetais e na redução do sal, todos factores que devem estar no centro das campanhas de combate à obesidade e de sensibilização para uma nutrição saudável. A organização defende que apenas 10% da percentagem de energia consumida diariamente por um adulto seja de gordura saturada, valor excedido pelos portugueses que em média consumiram 10,8%. Pelo menos 600 gramas de vegetais e frutas devem ainda fazer parte da alimentação diária de um adulto, mas os portugueses chegaram a uma média de 877 gramas. Quanto ao sal, devem ser utilizados cinco gramas diários, menos de metade do que em Portugal é usado à mesa (12,3 gramas).


O responsável do programa de nutrição, actividade física e obesidade na OMS defende que a prática de exercício e uma alimentação equilibrada são a resposta ao problema do crescente excesso de peso que se tem vindo a revelar nas últimas décadas. “A opção pela actividade física e alimentos saudáveis deviam ser levadas a sério em todos os ambientes – escolas, hospitais, cidades e locais de trabalho. Além da indústria alimentar, o sector de planeamento urbano pode fazer a diferença”, sustenta João Breda.

Em Portugal, o presidente da SPEO defende que “as medidas preventivas devem ser as que mais atenção recebem”. A nível individual “devemos investir em modificações no estilo de vida”, para o Governo fica o trabalho de “melhorar as escolhas alimentares nas escolas e promover a actividade física”, no lugar de investir “milhões de euros no tratamento e nos medicamentos de hipertensão ou doença coronária”.

Segundo a OMS, há países que já estão a fazer um bom trabalho na contenção do que a organização considera ser uma “epidemia”, como é o caso de França e alguns países escandinavos. “Estes países estão a implementar políticas através de uma intervenção do governo e de iniciativas intersectoriais em linha com o Saúde 2020”, a mais recente política da OMS para o sector. Aos países que ainda apresentam dados negativos sobre a obesidade a organização sugere o reforço da legislação, a pressão da indústria alimentar para que assuma as suas responsabilidades ou ainda uma melhor informação calórica sobre cada alimento junto do consumidor. A OMS defende ainda que seja promovida nas escolas uma alimentação cuidada, que haja um controlo mais apertado na forma como são publicitados os alimentos ou ainda que se criem mais iniciativas para a actividade física.
  Notícia do Jornal "Público", Claúdia Bencaleiro, 25 de fevereiro de 2014

Post publicado por Alexandre Alves