terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Entre a fome extrema e a obesidade, FAO e OMS dizem que "alguma coisa não está a correr bem”

Quando importar alimentos produzidos industrialmente fica mais barato do que cultivar localmente, “alguma coisa não está a correr bem”, disse a directora-geral da Organização Mundial de Saúde.




Ministros e altos funcionários de mais de 170 países comprometeram-se nesta quarta-feira a lutar contra a subnutrição e aprovaram recomendações para combater a escassez de alimentos, a falta de nutrientes e a obesidade. “Uma parte do nosso mundo desequilibrado ainda morre de fome. A outra come até ficar obesa, de tal forma que a esperança de vida recua de novo”, disse, sintetizando os problemas, a directora-geral da OMS, Margaret Chan, na abertura da II Conferência Internacional sobre a Nutrição (CIN2), em Roma.

O director-geral da FAO, José Graziano da Silva, afirmou que “não podemos ficar por aqui”. “É nossa responsabilidade transformar estes compromissos em resultados concretos. “Temos os conhecimentos, competência e recursos para acabar com todas as formas de subnutrição. Há comida suficiente para que todos se alimentem correctamente”, disse.

Margaret Chan chamou a atenção para os problemas e riscos da agricultura industrializada. “O sistema alimentar mundial não está a funcionar, por causa da dependência de uma produção industrializada de alimentos cada vez mais baratos e piores para a saúde”, disse. Um exemplo dado pela directora-geral da OMS foi o de cidades da África e da Ásia para as quais fica mais barato importar alimentos produzidos de forma industrial do que comprar alimentos frescos cultivados em zonas rurais próximas.


Notícia adaptada de Público.pt, por João Manuel Rocha, 19/11/2014

Post de Inês Pinhão